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Câncer de mama luminal A e B: entenda as diferenças e o tratamento

Câncer de mama luminal A e B: entenda as diferenças e o tratamento

O câncer de mama não é uma doença única, e um tipo de tumor pode responder melhor ou pior a determinados tratamentos. É por isso que é importante entender qual é o subtipo da doença após um diagnóstico – e, aqui, os casos de câncer de mama luminal A e B são os mais comuns. Esses dois subtipos são diferentes, e os tratamentos para cada um também.

Entenda abaixo o que são os subtipos de câncer de mama luminal A e B, de que forma cada um se comporta e qual o impacto disso no tratamento.

Câncer de mama luminal A e B: o que são, diferenças e mais

Casos de câncer de mama podem ser diferentes uns dos outros pois não se trata de uma doença única. Cada tumor tem características próprias que determinam, por exemplo, como ele cresce, como responde ao tratamento e qual o prognóstico mais provável. Uma das formas de entender essas diferenças é analisar o perfil molecular do tumor – e foi assim que pesquisadores identificaram quatro grandes grupos (subtipos): HER2 positivo, triplo-negativo, luminal A e luminal B.

Os cânceres do tipo luminal são os mais frequentes e têm uma característica em comum: ambos são tumores hormonais de mama – ou seja, suas células têm receptores para estrogênio e (ou) progesterona. Apesar dos dois terem dependência hormonal, porém, há características que os diferenciam.

Luminal A: características principais

O luminal A é o subtipo mais frequente do câncer de mama, representando de 50% a 60% dos casos. Por ser um tumor que cresce de forma mais gradual, responde bem à hormonioterapia e muitas vezes não requer quimioterapia, o prognóstico dele é melhor – e isso se deve às seguintes características:

Presença de receptores hormonais 

Cânceres do tipo luminal A têm grande expressão tanto receptores de estrogênio (ER) quanto de progesterona (PR). Isso significa que as células tumorais dependem desses hormônios para crescer – e, por isso, respondem muito bem à hormonioterapia, que bloqueia essa produção.

HER2 negativo 

A proteína HER2, quando presente no tumor, pode exigir o uso de tratamentos mais específicos. O luminal A, porém, não expressa essa proteína em exagero, afastando essa necessidade.

Ki-67 baixo 

O Ki-67 é uma proteína que indica a velocidade com que as células tumorais se dividem. No luminal A, esse índice é baixo, levando a crescimento mais lento, menor agressividade e melhor resposta ao tratamento hormonal isolado.

Luminal B: características principais 

Assim como o luminal A, o luminal B também tem receptores hormonais, mas eles se diferenciam em outras características. O luminal B também é altamente tratável, mas tem prognóstico menos favorável pois pede uma abordagem mais multidisciplinar para chegar ao controle da doença de forma eficaz. As características que causam isso incluem:

Ki-67 elevado 

Devido ao índice alto da proteína Ki-67, o luminal B tem maior índice de proliferação celular – ou seja, ele é um tumor de avanço mais rápido, mais agressivo e menos responsivo à hormonioterapia de forma isolada. Esta é a principal diferença entre câncer de mama luminal A e B.

Receptor de progesterona (PR) variável 

Apesar de sempre ter receptor de estrogênio, o luminal B nem sempre tem receptor de progesterona. Esse receptor é frequentemente negativo ou baixo, fazendo com que o tumor responda menos à terapia hormonal.

HER2 pode ser positivo 

Em parte dos casos de luminal B, há coexpressão da proteína HER2, o que adiciona mais uma camada de complexidade e a necessidade de terapias específicas adicionais.

Diferenças entre câncer de mama luminal A e B 

A diferença entre luminal A e B pode ser resumida nos seguintes pilares:

Velocidade de crescimento 

Enquanto o luminal A cresce de forma lenta e gradual, o luminal B é mais acelerado, impactando diretamente na urgência do tratamento e na escolha de terapias.

Grau tumoral 

O luminal A tende a ser de baixo grau, ou seja, com células tumorais mais parecidas com células saudáveis da mama. Já o luminal B costuma ser de grau intermediário ou alto, com células de aparência mais alterada e comportamento menos previsível.

Resposta à hormonioterapia 

Ambos os subtipos respondem bem à hormonioterapia, mas o luminal A responde muito melhor quando o tratamento aparece sozinho, sem associação a outros. Já no luminal B, a resposta é parcial, e o tratamento frequentemente exige abordagens complementares.

Necessidade de quimioterapia 

No luminal A, a paciente geralmente não precisa fazer quimioterapia. Já no luminal B, ela aparece no plano de tratamento com mais frequência, dado o maior potencial de agressividade do tumor.

Prognóstico 

O luminal A tem prognóstico melhor entre todos os subtipos de câncer de mama. Enquanto isso, o luminal B tem prognóstico menos favorável – não porque exige tratamento mais intensivo para que exista controle da doença, mas existe mais dificuldade em controlá-lo de forma eficaz.

No vídeo abaixo, explico em mais detalhes as diferenças de cada tipo:

Tratamento para câncer de mama luminal A e luminal B 

Fatores como grau de avanço da doença no momento do diagnóstico, tamanho do tumor, comprometimento de linfonodos e características clínicas do paciente influenciam na escolha de tratamento. Apesar disso, o subtipo do câncer também é levado em conta – e isso costuma resultar nas seguintes condutas:

Tratamento para luminal A 

O principal pilar do tratamento para luminal A é a hormonioterapia no câncer de mama. Por se tratar de um tumor com alta dependência hormonal e baixa velocidade de proliferação, ele responde muito bem ao bloqueio hormonal, e o tratamento costuma durar de cinco a dez anos.

A quimioterapia, nesses casos, não costuma trazer benefício adicional relevante, e a decisão de incluí-la ou não costuma depender de testes que analisam a expressão de certos genes no tumor. Quando ele tem baixa chance de recorrência, a quimioterapia costuma ser dispensada com segurança.

Tratamento para luminal B 

O tratamento para luminal B, em contrapartida, costuma ser mais intensivo. Aqui, a hormonioterapia segue parte do plano, afinal esse câncer tem receptores hormonais – mas a quimioterapia para luminal B entra com mais frequência do que em casos de luminal A. Isso porque o Ki-67 elevado nesses casos indicam células que se dividem rápido e, por isso, precisam de um tratamento que interrompa essa divisão.

Quando o tumor é HER2 positivo, o tratamento ainda pode incluir terapias direcionadas a essa proteína, como trastuzumabe, em combinação com hormonioterapia e quimioterapia. Nesse contexto, testes genômicos também podem ajudar na decisão terapêutica.

Receber o diagnóstico de câncer de mama luminal A ou B abre caminhos terapêuticos específicos, e quanto melhor for a análise do tumor, mais preciso será o caminho. Esse é um dos princípios da medicina de precisão – e, se você tem dúvidas sobre essa abordagem, marque uma consulta!

Dra. Juliana Beal – oncologista em São Paulo 

A Dra. Juliana Beal é oncologista especialista em câncer de mama e atua no Einstein Hospital Israelita. Sua expertise envolve foco no diagnóstico e no tratamento de câncer de mama em SP, baseando-se nos avanços mais recentes da oncologia e na medicina de precisão. Ela acompanha pacientes em todas as fases da doença, desde a subtipagem molecular até a definição do plano terapêutico mais adequado a cada caso.

Mais sobre câncer de mama luminal A e B

Luminal A é o subtipo de câncer de mama mais comum, e de melhor prognóstico. Suas células têm receptores para estrogênio e progesterona, são HER2 negativas e têm Ki-67 (índice de proliferação) baixo. Isso o torna um tumor de crescimento mais lento, com ótima resposta à hormonioterapia e, na maioria dos casos, que dispensa quimioterapia.

A principal diferença entre eles está no índice de proliferação celular (Ki-67). No luminal A, ele é baixo, indicando crescimento lento e boa resposta à hormonioterapia isolada. No luminal B, esse índice é elevado, algo que o torna um tumor mais agressivo e com menor resposta à hormonioterapia sozinha. Além disso, o luminal B ainda pode ser HER2 positivo e não ter o receptor de progesterona, tornando o tratamento mais complexo.

Sim! O luminal costuma ser tratado apenas com hormonioterapia, sem necessidade de quimioterapia na maioria dos casos. Já o luminal B, por ser mais agressivo, frequentemente requer a combinação de hormonioterapia e quimioterapia. Além disso, quando um luminal B é HER2 positivo, terapias dirigidas a essa proteína também entram no plano.

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