Quais exames definem o estadiamento do câncer de mama
O estadiamento do câncer de mama é uma etapa essencial após o diagnóstico. Isso porque ela permite entender o quão avançada está a doença, bem como orientar com precisão as escolhas de tratamento mais eficazes. Esse “mapa” da doença é definido a partir de um conjunto de exames para câncer de mama e pela interpretação de critérios como tamanho do tumor e sua possível disseminação para estruturas próximas ao seio.
Entenda abaixo quais são esses exames, como eles ajudam o médico a traçar um plano terapêutico e ainda tornam o tratamento mais promissor:
Estadiamento do câncer de mama: exames, entendendo resultados e mais
O termo estadiamento do câncer de mama se refere ao processo de classificar a doença conforme sua extensão no corpo. Essa etapa é fundamental porque o estadiamento influencia diretamente o tratamento, o prognóstico e as opções terapêuticas adequadas para cada caso.
A forma mais utilizada mundialmente para isso é o sistema de estadiamento TNM, que considera três componentes principais:
- Tamanho e extensão do tumor primário (T).
- Comprometimento dos linfonodos regionais (N);
- Presença de metástases em outros órgãos (M).
O valor combinado de T, N e M dá origem a um estágio clínico (I, II, III ou IV), que designam as principais características daquele câncer. Tumores com metástase, por exemplo, se enquadram em uma numeração, enquanto tumores localizados e sem comprometimento de linfonodos aparecem em uma escala mais baixa.
Isso orienta se o tratamento será local (com cirurgia e radioterapia, por exemplo), ou se haverá a necessidade de tratamentos sistêmicos (como quimioterapia ou hormonioterapia). Além disso, fatores como características moleculares do tumor podem ser considerados no estadiamento mais amplo, especialmente no contexto da medicina de precisão, que determina opções mais personalizadas de tratamento.
Nesse processo de estadiamento, diversos exames de imagem de oncologia são solicitados para avaliar se o câncer se limita à mama e regiões próximas ou se já se espalhou para outras partes do corpo.
Exames para estadiamento de câncer de mama
A avaliação de estadiamento combina exames clínicos e exames para câncer de mama de imagem, cada um com um papel específico. Entenda todos os que o médico pode pedir:
Mamografia
A mamografia é um exame de raio-X da mama que pode revelar a presença de tumores, bem como características da lesão (tamanho, calcificações, etc). Embora seja frequentemente usado no diagnóstico inicial, ele também contribui para entender a extensão do tumor.
Este exame é um passo essencial antes de qualquer outro exame de estadiamento mais avançado. Além disso, é o exame padrão ouro para rastreamento de câncer de mama.
Ultrassonografia de mama
A ultrassonografia de mama é um exame que usa ondas sonoras para diferenciar lesões sólidas de cistos e pode complementar a mamografia, especialmente em mamas mais densas. Ela também é usada para avaliar os linfonodos nas axilas (o melhor exame para esta finalidade), que fazem parte da categoria N no sistema TNM. Às vezes, ela serve como guia para biópsias que avaliam a presença de células tumorais nos linfonodos.
Ressonância magnética de mama
A ressonância magnética da mama é um exame detalhado que utiliza campos magnéticos e radiofrequência para fornecer imagens de alta resolução, permitindo uma avaliação mais precisa do tumor em sua localização da mama e de possíveis extensões locais. Esse exame é indicado em situações específicas, como tumores multifocais ou quando outras imagens não foram conclusivas.
Diversos consensos médicos pontuam que a ressonância pode ser útil para complementar a avaliação da doença, principalmente em casos complexos ou de alto risco. Apesar disso, ela não é rotina em todos os processos de estadiamento.
Tomografia computadorizada (TC)
A tomografia computadorizada para câncer de mama não é rotineiramente usada para estadiar tumores iniciais. Ainda assim, ela é indicada quando há suspeita de doença mais disseminada com em estágios clínicos avançados.
Esse exame fornece imagens detalhadas do tórax, do abdômen e da pelve, ajudando a detectar metástases (tumores secundários) em órgãos internos como pulmões, fígado, ovários e mais.
Em pacientes com câncer em estágio clínico mais avançado (como III e IV), a TC é uma ferramenta poderosa para investigar a extensão da doença, permitindo uma abordagem mais completa.
PET-CT para câncer de mama
O PET-CT combina informações da tomografia com dados funcionais como atividade metabólica fornecidos pela emissão de pósitrons, partículas específicas visíveis nas imagens. Isso faz com que, nos resultados, áreas com atividade celular elevada – característica do câncer – fiquem em destaque.
Este exame é especialmente útil quando há suspeita de metástase que outros exames não conseguem esclarecer ou em casos de doença localmente avançada. Em alguns protocolos, ele pode substituir a combinação de TC e cintilografia óssea na avaliação de disseminação.
Cintilografia óssea
A cintilografia óssea é um exame de medicina nuclear que investiga o esqueleto em busca de metástases ósseas por meio de uma substância radioativa que se acumula em áreas nas quais os ossos se modificaram de forma incomum.
Esse exame costuma ser indicado quando há dor óssea, elevação de fosfatase alcalina em exames ou outros indícios de comprometimento ósseo, principalmente em estágios mais avançados da doença. Entretanto é menos específico para avaliação de lesões ósseas do que o PET.
Como interpretar os resultados
Cada exame contribui para um “quadro” mais completo da doença. Resultados que mostram tumor restrito à mama, sem envolvimento de linfonodos e sem metástases, geralmente correspondem a estágios mais iniciais, como I e II.
Quando há evidências de comprometimento de linfonodos ou de metástases fora da mama, o estadiamento muda para níveis mais avançados, como III e IV. Essas variações ditam a abordagem terapêutica e a previsão de cura do paciente. Quanto mais inicial é o grau da doença, maiores são as chances de cura e qualidade de vida após o diagnóstico.
A integração de cada um desses achados de exames pelo oncologista é essencial para uma interpretação adequada.
A importância do oncologista no estadiamento do câncer de mama
O processo de estadiamento deve ser interpretado por um oncologista especialista em mama, profissional com expertise adequada para integrar exames clínicos e de imagem e construir um cenário preciso da doença. Um oncologista experiente sabe, por exemplo, quando solicitar cada exame, analisar os achados e traduzi-los em um plano terapêutico individualizado.
A Dra. Juliana Beal, oncologista com foco em câncer de mama e medicina de precisão, alia conhecimento técnico, experiência clínica e atenção personalizada para conduzir esse processo com segurança. Seu olhar integra dados de imagem, resultados de biópsias e considerações do paciente, resultando em decisões mais adequadas e proveitosas.
Se você tem preocupações com o estadiamento de um diagnóstico ou deseja uma avaliação detalhada por um médico de câncer de mama em São Paulo, considere agendar uma consulta para uma discussão individualizada e esclarecedora.
Mais sobre estadiamento do câncer de mama
Os principais exames para definir o estadiamento do câncer de mama incluem mamografia, ultrassonografia de mama, ressonância magnética da mama, tomografia computadorizada, PET-CT para câncer de mama e cintilografia óssea. Tudo depende da extensão clínica e dos sintomas da paciente.
Em estágios iniciais e quando não há disseminação, nem todo os exames são necessários. A decisão é personalizada com base no quadro clínico, tamanho do tumor e presença de sinais sugestivos de doença metastática. Protocolos internacionais recomendam evitar exames extensos quando não há indicação clínica clara para eles.
Sim, o estadiamento é um dos pilares que orientam a escolha terapêutica, desde opções locais (como cirurgia e radioterapia) até terapias sistêmicas. Uma definição clara do estadiamento garante que a paciente receba o tratamento mais adequado à extensão e à biologia do tumor.


