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HER2 ultralow: o que significa essa nova classificação no câncer de mama

HER2 ultralow: o que significa essa nova classificação no câncer de mama

O HER2 ultralow é um dos temas mais recentes e relevantes da oncologia mamária, e começa a aparecer em laudos e conversas no consultório. Trata-se de uma nova categoria de classificação HER2 no câncer de mama, mais refinada e com consequências positivas para o tratamento.

Entenda o que é o HER2, como o patologista avalia essa proteína, o que diferencia cada categoria (incluindo o HER2 ultralow) e por que essa diferenciação passou a importar tanto para as decisões terapêuticas.

HER2 ultralow no câncer de mama: o que é, classificações e mais

O câncer de mama não é uma doença única. Sendo assim, cada tumor tem características moleculares próprias que orientam o tratamento, e uma das mais relevantes é a expressão do HER2.

Aqui, a chegada do conceito de HER2 ultralow representa um refinamento importante nessa avaliação, porque tumores que antes eram chamados de “HER2 negativos” agora são subdivididos com mais precisão, aumentando a gama do que é possível oferecer à paciente no tratamento.

O que é HER2

HER2 é uma proteína presente na superfície das células mamárias e participa, de forma natural, dos mecanismos de crescimento e divisão celular. Em alguns tumores, há uma expressão excessiva desse receptor na membrana celular, o que estimula sinais contínuos de proliferação e faz com que as células tumorais cresçam de forma mais acelerada e desorganizada.

Isso tende a tornar o câncer mais agressivo – mas, ao mesmo tempo, a expressão dessa proteína também cria um “alvo” no tumor, e é possível usá-lo para escolher tratamentos mais precisos.

A quantidade de HER2 na superfície das células tumorais é o que define a classificação, e ela é feita a partir de uma análise laboratorial de tecido retirado na biópsia ou na cirurgia.

Classificações do HER2 no laudo da patologia 

A avaliação do HER2 passa pelo olhar do médico patologista, responsável por analisar o tecido tumoral usando uma técnica chamada imuno-histoquímica. Trata-se de um método que “colore” as proteínas para torná-las visíveis, e o resultado inclui uma escala de 0 a 3+. A partir dela, a classificação HER2 no câncer de mama funciona assim:

HER2 positivo (3+ ou 2+ com amplificação gênica) 

Indica expressão intensa ou amplificação do gene HER2, associada a comportamento tumoral mais agressivo e indicação de terapias anti-HER2 clássicas.

Nos casos classificados como 2+ na imuno-histoquímica (IHQ ++), o resultado é considerado inconclusivo. Por isso, é necessário realizar um teste complementar — como FISH ou ISH — para avaliar se existe amplificação do gene HER2 e, assim, definir se o tumor será considerado HER2 positivo ou HER2 negativo.

HER2 baixo (1+ ou 2+ sem amplificação gênica) 

Indica expressão de HER2 baixa ou HER2 low, mas detectável. É uma categoria que ganhou relevância clínica com o advento de novos medicamentos que focam nela.

HER2 ultralow (0 com coloração de membrana fraca e incompleta em até 10% das células) 

Indica expressão mínima, até recentemente agrupada junto ao HER2 negativo.

HER2 negativo (0 sem nenhuma coloração) 

Indica ausência completa de expressão da proteína.

Tratamento de câncer de mama com HER2 ultralow 

Por muito tempo, pacientes com HER2 ultralow recebiam o mesmo tratamento de quem tinha HER2 negativo. Sendo assim, essas pessoas ficavam fora das estratégias direcionadas ao HER2, que podem ser bastante benéficas. Isso mudou com o avanço dos ADCs (anticorpos conjugados a droga), uma nova classe de remédios que une anticorpos altamente específicos com uma carga de quimioterapia. Aqui, os anticorpos ajudam a entregar a droga diretamente à célula tumoral com mais precisão.

Nesse contexto, o trastuzumabe deruxtecana (T-DXd) é o principal representante dessa classe no contexto do HER2 baixo/low e do HER2 ultralow. Ao contrário das terapias anti-HER2 clássicas, que dependem de grande concentração da proteína para agir, o T-DXd consegue atuar mesmo quando a quantidade é mínima.

Além disso, estudos recentes demonstram que o trastuzumabe deruxtecana (T-DXd) prolonga significativamente a sobrevida livre de progressão em pacientes com câncer de mama metastático HER2 baixo (HER2 low), independentemente da coexpressão de receptores hormonais, quando comparado à quimioterapia convencional.

Já no cenário HER2 ultralow, os benefícios observados até o momento foram especificamente em tumores com receptor hormonal positivo. Com base nesses resultados, o medicamento recebeu aprovação regulatória em 2025 para pacientes com câncer de mama metastático HER2 ultralow e receptor hormonal positivo, ampliando o acesso desse grupo a terapias mais direcionadas e eficazes.

Esse avanço é um exemplo concreto da medicina de precisão no câncer de mama: quanto mais detalhada e refinada for a caracterização do tumor, mais personalizada e eficaz pode ser a escolha do tratamento — com impacto direto no prognóstico da paciente.

Estudos estimam que o HER2 ultralow esteja presente em cerca de 10% a 29% dos tumores anteriormente classificados como HER2 negativos. Na prática, isso significa que um número importante de pacientes pode passar a ter acesso a terapias modernas e mais direcionadas, ampliando as possibilidades de controle da doença.

Abaixo, explico mais sobre o impacto dessa nova classificação no tratamento de certos tipos de câncer de mama:

O campo do uso de ADCs no câncer de mama tem avançado rapidamente, e a tendência é que novos estudos clínicos aumentem ainda mais as indicações desse e de outros medicamentos. Sendo assim, acompanhar essas atualizações junto de uma equipe oncológica atualizada faz diferença na jornada de tratamento.

Se você recebeu um laudo de imunohistoquímica e tem dúvidas sobre o resultado do HER2 e o que isso significa para o seu caso, agende uma consulta e tenha essa conversa com um bom oncologista clínico.

Dra. Juliana Beal: oncologista especialista em câncer de mama em São Paulo 

A Dra. Juliana Beal, oncologista clínica e oncologista especialista em câncer de mama, atua no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, com foco em tratamento do câncer de mama em SP baseado em avanços recentes da prática. Especializada em medicina de precisão, ela acompanha pacientes com a doença em todas as fases dela, incluindo casos com classificações como o HER2 ultralow, oferecendo cuidado individualizado e fundamentado nas melhores evidências científicas disponíveis.

Mais sobre HER2 ultralow

HER2 ultralow é uma categoria de expressão da proteína HER2 em tumores que, na análise laboratorial, têm uma quantidade muito pequena dela. Anteriormente, esses tumores eram considerados HER2 negativos, algo que tirava de diversas pacientes o acesso a determinados tratamentos.

Não. O HER2 ultralow faz parte do espectro de tumores que, antes, eram classificados como HER2 negativo. Ao contrário do negativo, porém, esses tumores têm, sim, expressão da proteína HER2, mas em quantidades muito pequenas e características específicas.

Essa diferenciação passou a importar especialmente com o surgimento de medicamentos capazes de agir sobre o câncer mesmo com níveis mínimos de HER2.

Sim, mas em contextos específicos. Com resultados positivos relacionados ao uso do trastuzumabe deruxtecan para pacientes com câncer de mama metastático HER2 baixo ou HER2 ultralow com receptor hormonal positivo, essa classificação passou a dar a mais mulheres acesso a terapias modernas que podem melhorar o prognóstico da doença.

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