Endereço: Rua Ruggero Fasano - Morumbi
Telefone: (11) 97186-4232
e-mail: juliana.beal@einstein.br

Câncer de mama e menopausa precoce: o que esperar e como cuidar

Câncer de mama e menopausa precoce: o que esperar e como cuidar

A menopausa precoce no câncer de mama é uma realidade frequente, e que pode acontecer de forma abrupta, impactando corpo e mente além do que se imagina antes do diagnóstico. Isso porque entrar na menopausa mais cedo que o esperado é o efeito direto de algumas das terapias mais usadas contra a doença.

Saber o que está acontecendo e o motivo já fazem uma diferença enorme nesse processo. Além disso, chegar a esse momento com informações de qualidade ajuda a lidar com os sintomas e buscar apoio quando necessário. Veja abaixo por que esse efeito pode acontecer e como manejá-lo da melhor forma:

Câncer de mama e menopausa precoce: qual a relação?

A relação entre o câncer e a menopausa precoce está nos hormônios. Mais de 70% dos casos de câncer de mama tem receptores hormonais: ou seja, células tumorais que “se alimentam” de estrogênio e progesterona para crescer. Nesses casos, a saída mais comum (e efetiva) é a hormonioterapia, que reduz ou bloqueia a produção natural desses hormônios pelo corpo, ocasionando a menopausa precoce.

Além dos efeitos clássicos do tratamento hormonal, até a quimioterapia pode provocar sintomas de menopausa no tratamento de câncer. Isso porque, em alguns casos, esse tratamento pode danificar os ovários a ponto de interromper a produção hormonal, ou ainda, realizar um bloqueio químico da função ovariana.

Tanto nos casos de bloqueio hormonal por hormonioterapia quanto na perda da função ovariana por quimioterapia, mulheres mais jovens têm chance maior de recuperar a fertilidade após o tratamento. Isso porque a hormonioterapia pode durar anos, bem como os efeitos da quimioterapia sobre o sistema reprodutor. Nesse caso, se a mulher já está muito próxima da menopausa natural, o fim do tratamento pode “emendar” no declínio esperado da produção hormonal.

Em casos mais restritos, porém, pode ser necessário remover os ovários cirurgicamente como parte do tratamento do câncer da prevenção de recidivas. Nesses casos, o bloqueio da produção de hormônios é permanente.

Sintomas de menopausa no tratamento oncológico

A menopausa induzida pelo tratamento costuma ser mais intensa do que a menopausa natural. Isso acontece porque, na menopausa espontânea, a queda hormonal é gradual e ocorre ao longo de anos. Já no contexto do tratamento, a queda é abrupta, e o organismo tem menos tempo de se adaptar. Nesse contexto, os sintomas mais comuns são:

  • Ondas de calor durante o câncer (sensação súbita de calor, muitas vezes junto de suor intenso);
  • Insônia e distúrbios do sono (frequentemente acompanhado de suores noturnos);
  • Ressecamento vaginal;
  • Redução da libido;
  • Alterações de humor (irritabilidade, ansiedade, episódios de tristeza, entre outros);
  • Dificuldade de concentração e problemas de memória;
  • Dores articulares e musculares;
  • Perda de densidade óssea.

Aqui, é importante frisar que esses sintomas são naturais para quem está fazendo hormonioterapia e, em alguns casos, quimioterapia. Eles não devem provocar vergonha, mas sim a busca por orientação médica, visto que há formas de contornar o quadro e tornar o momento mais confortável para a paciente.

Como aliviar os efeitos da menopausa no tratamento 

Na menopausa convencional, uma das grandes soluções para os sintomas desconfortáveis é a reposição hormonal. No caso de pacientes de câncer que fazem hormonioterapia, porém, esse tratamento pode ser contraproducente, suplementando com algo que faz o câncer crescer. Isso não significa que não há o que fazer – apenas que a estratégia precisa ser diferente.

Nesse contexto, existe um conjunto robusto de abordagens não hormonais (e, em alguns casos, que aplicam hormônio de forma localizada) que fazem diferença real na qualidade de vida durante e após o tratamento. Conheça abaixo:

Medicamentos não hormonais 

O uso de baixas doses de medicamentos antidepressivos, por exemplo, tem boas evidências de eficácia na redução da frequência e da intensidade das ondas de calor durante o câncer. Além disso, o uso de estrogênio tópico (em gel) em baixas doses e por um tempo limitado pode ajudar no ressecamento vaginal que não responde a medidas mais simples – tudo isso sem interferir no tratamento.

Aqui, porém, é importante ter cautela. Isso porque os alguns tipos de antidepressivos, por exemplo, não são uma opção interessante para quem usa Tamoxifeno para tratar o câncer – por interação medicamentosa . Por esse motivo, todas as opções devem ser cuidadosamente discutidas com um oncologista de confiança.

Mudanças de estilo de vida 

Aqui, entram estratégias como evitar gatilhos para ondas de calor (como alimentos apimentados, bebidas quentes e álcool), usar roupas leves e manter o ambiente fresco podem ajudar no âmbito dos fogachos.

Além disso, praticar atividade física leve regularmente contribui tanto para o controle desse sintoma quanto para a melhora e a manutenção da saúde óssea. Ainda pensando em proteger os ossos, que podem se prejudicar com a queda de estrogênio, o médico pode receitar suplementação de cálcio e vitamina D.

Produtos de uso local 

Itens como lubrificantes vaginais à base de água (usados apenas durante as relações sexuais) e hidratantes vaginais de uso regular aplicados algumas vezes durante a semana podem ajudar com o ressecamento. São produtos sem hormônios e fáceis de comprar em farmácias sem necessidade de receita, mas que fazem diferença real nos problemas de libido no câncer de mama.

Fisioterapia pélvica 

Nesses contextos, a fisioterapia pélvica é um recurso valioso para mulheres que enfrentam, por exemplo, dor durante as relações, alterações da função pélvica e incontinência urinária no contexto do tratamento. Esse trabalho especializado pode recuperar a funcionalidade e o bem-estar da paciente de forma significativa.

Acupuntura 

A acupuntura tem evidências favoráveis para o manejo tanto de ondas de calor quanto de dor e outros sintomas relacionados à menopausa induzida pelo tratamento. Para muitas pacientes, ela é um complemento eficaz para as outras estratégias.

Suporte psicológico 

Os efeitos hormonais do câncer de mama não são apenas físicos. Isso porque a menopausa pode trazer luto pela fertilidade, impacto na identidade e na sexualidade, além de ansiedade sobre o futuro. Nesse contexto, acompanhamento psicológico e até grupos de apoio entre pacientes com experiências semelhantes são estratégias que fazem parte de um cuidado oncológico completo.

O papel do oncologista nesse contexto 

Passar pelo tratamento hormonal para câncer é trilhar uma jornada complexa, e você não precisa fazer isso sozinha – nem sem informação. Isso porque os efeitos hormonais do câncer de mama têm manejo, com estratégias eficazes para cada sintoma, e o oncologista é o profissional mais indicado para orientar quais fazem mais sentido.

Se você tem dúvidas sobre o que está sentindo nesse momento do tratamento ou quer estruturar um plano de cuidados focado em qualidade de vida, agende uma consulta com um médico especialista. Esse acompanhamento não só faz parte do tratamento como também faz toda a diferença.

Dra. Juliana Beal – oncologista especialista em câncer de mama em São Paulo 

Juliana Beal, oncologista clínica com atuação no Hospital Israelita Albert Einstein, é especializada no diagnóstico e no tratamento do câncer de mama, bem como na aplicação da medicina de precisão. Ela acompanha pacientes em todas as fases do tratamento, incluindo o manejo dos efeitos hormonais do câncer de mama e a orientação sobre qualidade de vida durante e após a terapia oncológica.

Mais sobre menopausa precoce no câncer de mama

Sim, o tratamento do câncer pode ter esse efeito tanto pelo princípio ativo da hormonioterapia quanto por danos que a quimioterapia pode, em alguns casos, causar no corpo. Isso porque a hormonioterapia suspende a produção dos hormônios femininos em casos de tumores que “se alimentam” deles, enquanto a quimioterapia pode ser danosa para células saudáveis (ao mesmo tempo em que é eficaz contra a doença).

A intensidade e a permanência desses efeitos dependem do tipo de tratamento, da idade da paciente e da função ovariana antes do início do tratamento.


Os sintomas mais comuns incluem:

  • Ondas de calor;
  • Sudorese noturna;
  • Insônia;
  • Ressecamento vaginal;
  • Queda da libido;
  • Alterações de humor;
  • Dificuldade de concentração;
  • Dores articulares;
  • Perda de densidade óssea.

Esses sintomas tendem a ser mais intensos do que a menopausa natural, e isso acontece porque a queda hormonal, nesse contexto, é mais repentina.

Como a reposição hormonal convencional não é uma opção nesse contexto, é preciso recorrer a outras estratégias. Isso inclui, por exemplo, uso de antidepressivos em doses baixas, lubrificantes vaginais, fisioterapia pélvica, atividade física, acupuntura e suporte psicológico. Aqui, porém, o manejo deve ser individualizado e discutido com a equipe oncológica.

Deixe um comentário

Agendar Consulta
1