Micrometástase no linfonodo no câncer de mama: o que significa?
Ler o termo “micrometástase no linfonodo” em um laudo tende a ser assustador porque, em geral, a palavra “metástase” tem relação com um câncer que se espalhou. Se você está passando por isso, saiba que esse achado tem um significado clínico muito específico, e não é a mesma coisa que uma metástase do câncer de mama em outros órgãos.
Entenda abaixo o que é a micrometástase no linfonodo no câncer de mama, como ela se diferencia de outros achados relacionados aos linfonodos, o que ela diz sobre o estadiamento da doença e de que forma isso orienta as decisões sobre o tratamento.
Micrometástase no linfonodo: o que é
A micrometástase no linfonodo é a presença de um pequeno grupo de células tumorais em um linfonodo, estrutura do sistema imunológico que funciona como um “filtro” no organismo. No câncer de mama, os linfonodos mais propensos a esse quadro ficam na axila, próximos à mama.
Isso acontece quando células cancerosas se desprendem do tumor, viajando por vasos linfáticos até que atingem essas estruturas. É por esse tipo de situação que, no contexto do câncer de mama, fazemos a biópsia do linfonodo sentinela, primeiro linfonodo nesse trajeto (e, portanto, o que tem mais chance de ter recebido essas células quando comparado a outros linfonodos).
Diferença entre micrometástase e metástase à distância: diferença
Em meio à ansiedade com o laudo, é importante saber que as micrometástases em linfonodos não são a mesma coisa que quadros nos quais o câncer viaja pelo corpo e invade outros tecidos. Ter um linfonodo positivo no câncer de mama por micro ou macrometástase não significa a mesma coisa que ter uma metástase à distância.
Esse achado apenas possibilita entender que o câncer de mama da paciente tem a capacidade de invadir outros tecidos, e que há células cancerosas em um linfonodo próximo à mama. Isso significa que a doença teve capacidade de circular pela circulação linfática, o que pode predizer um maior risco de haver outras células circulando pelo corpo. Informações como essa orientam o estadiamento do câncer de mama, além de ajudar na escolha da linha de tratamento mais adequada ao caso.
Conheça no vídeo abaixo outras concepções que podem confundir a paciente com diagnóstico de câncer de mama:
Células tumorais isoladas, micrometástase e macrometástase
O comprometimento linfonodal no câncer de mama se divide em três categorias conforme o tamanho do grupo de células encontrado nessas estruturas. São eles:
Células tumorais isoladas no linfonodo (N0i+)
Aqui entram os depósitos de até 0.2 milímetros ou com menos de 200 células cancerosas. Como são depósitos pequenos, apesar desse achado aparecer no laudo, a conclusão é a de que não há comprometimento nos linfonodos. Isso acontece pois o prognóstico de pacientes que tem células tumorais isoladas no linfonodo é igual ao das pacientes que possuem avaliação linfonodal negativa.
Micrometástase no linfonodo (N1mi no câncer de mama)
Essa classificação engloba depósitos com tamanho entre 0.2 milímetros até 2 milímetros. Nesses casos, o comprometimento do linfonodo aparece como positivo no laudo, e o achado aparece como N1mi no estadiamento da doença.
Macrometástase no linfonodoa
Já essa última categoria engloba depósitos com mais de 2 milímetros – ou seja, um comprometimento linfonodal mais extenso, com maior impacto no estadiamento da doença e no plano terapêutico.
Como a micrometástase influencia o tratamento do câncer de mama
O N1 (ou seja, laudo de linfonodo positivo para células do câncer de mama) não determina, sozinho, o plano terapêutico – mas sua existência faz parte de um conjunto amplo de informações que ajudam a escolher o que faz mais sentido. Nessa conta, entram também dados como o subtipo molecular do tumor, o grau histológico, o Ki-67, o tamanho do tumor primário e a existência de receptores hormonais ou hiperexpressão/amplificação da proteína HER2.
Cada uma dessas informações conta algo sobre o câncer: se ele é mais ou menos agressivo, se já está no processo de invadir outros tecidos, se ele responderia ou não à terapia hormonal, se é necessário esvaziar os linfonodos durante a cirurgia, entre outras orientações importantes.
Em muitos casos, especialmente em tumores de baixo risco, a presença de uma micrometástase tem impacto pequeno no plano terapêutico, Já em tumores mais agressivos, esse dado sobre o linfonodo ganha mais peso na discussão sobre, por exemplo, o uso de quimioterapia ou radioterapia.
Além disso, quando uma paciente com esse achado faz um tratamento antes da cirurgia, o linfonodo é reexaminado após o procedimento – e o fato de ele continuar ou não apresentando células tumorais orienta a necessidade de terapias complementares. Esse tipo de análise integrada, inclusive, é uma das características da medicina de precisão no câncer de mama.
Quando o esvaziamento axilar é necessário
O esvaziamento axilar, cirurgia que remove um número maior de linfonodos da axila, costumava ser a conduta padrão para qualquer caso de micrometástase nessas estruturas. Esse cenário, porém, mudou após evidências mais recentes mostrarem que, em perfis selecionados de pacientes com esse achado, o esvaziamento axilar não oferece benefício adicional.
Atualmente, a indicação de fazer ou não o esvaziamento depende de fatores que vão além da presença de uma micrometástase no linfonodo sentinela. Eles incluem:
- Número de linfonodos comprometidos;
- Subtipo do tumor de mama;
- Extensão da cirurgia de mama;
- Plano de radioterapia.
Em muitas pacientes com N1 e perfil de baixo risco, a conduta conservadora, sem esvaziamento, pode se mostrar válida e não trazer prejuízo ao controle da doença. Sendo assim, essa é uma decisão extremamente individualizada, que deve ser tomada em conjunto com o oncologista e o cirurgião responsáveis pelo caso.
Se você recebeu esse resultado no laudo e busca um plano de ação para o seu caso específico, não deixe de agendar sua consulta! A interpretação integrada dos achados anatomopatológicos é parte central do que faço no acompanhamento de cada paciente, buscando, assim, o tratamento mais adequado caso a caso.
Dra. Juliana Beal: oncologista especialista em câncer de mama em São Paulo
A Dra. Juliana Beal, oncologista clínica com atuação no Hospital Israelita Albert Einstein, é referência na oncologia de câncer de mama em SP, com foco na interpretação integrada de achados anatomopatológicos, no estadiamento e na definição individualizada do tratamento.
Especializada em medicina de precisão no câncer de mama, ela acompanha pacientes em todas as fases da doença, desde o diagnóstico até o pós-tratamento, sempre com cuidado humanizado e baseado nas evidências mais atuais da oncologia.
Mais sobre micrometástase no linfonodo
Não, a micrometástase no linfonodo apenas indica que existem células tumorais em um linfonodo próximo à mama, em um grupo de tamanho entre 0.2 milímetros e 2 milímetros. Isso é diferente da metástase à distância, que significa a disseminação da doença para órgãos como pulmão, fígado ou cérebro. Esses dois achados tem significado, prognóstico e orientação terapêutica totalmente diferentes.
Não necessariamente. Essa decisão depende de outros fatores além da presença de micrometástase, como subtipo molecular do tumor, tamanho dele e mais. Em perfis de baixo risco, a presença de micrometástase não costuma alterar a indicação sobre a quimioterapia, por exemplo. Já em tumores mais agressivos, esse dado tende a ter mais peso sobre as decisões.
A diferença está no tamanho do grupo de células cancerígenas encontrado no linfonodo. Enquanto a micrometástase designa um grupo entre 0.2 milímetros e 2 milímetros, a macrometástase no linfonodo tem mais que 2 milímetros. Essa segunda representa um comprometimento mais extenso do linfonodo e tem impacto maior nas investigações e decisões que sucedem o laudo.


