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Doença residual no câncer de mama: o que é e o que esperar do tratamento

Doença residual no câncer de mama: o que é e o que esperar do tratamento

O rastreamento de câncer de mama em mulheres jovens é um tema que tem gerado cada vez mais perguntas no consultório – e com razão. Embora a doença seja mais frequente após os 50 anos, os casos em mulheres com menos de 40 anos têm aumentado no Brasil e no mundo, e entender quando e como investigá-lo faz toda a diferença para o diagnóstico precoce.

Entenda abaixo porque o rastreio para mulheres jovens funciona de forma diferente, quais fatores indicam investigação antes dos 40 anos, como se faz o exame de mama em jovens em cada perfil de risco e quais sinais nunca se deve ignorar independentemente da idade.

Rastreamento de câncer de mama em jovens: quando e porque fazer

Com tantas recomendações de diferentes instituições, é difícil entender quando e por onde começar o rastreamento do câncer de mama – especialmente quando falamos em mulheres com menos de 40 anos. Com isso, em primeiro lugar, é necessário entender qual é a recomendação padrão e quando é preciso fazer diferente.

O rastreamento padrão do câncer de mama (ou seja, o recomendado para a população geral) começa aos 40 anos. A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), em conjunto com o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), recomenda a mamografia anual a partir dessa idade para mulheres sem fatores de risco específicos.

Com isso, o Ministério da Saúde, em atualização de 2025, passou a garantir o acesso ao exame de mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir dos 40 anos, mas individualmente em decisão compartilhada com o profissional de saúde. Nesse contexto, o órgão mantém a recomendação padrão de mamografia a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos.

Já para mulheres com menos de 40 anos, é necessário avaliar se há ou não fatores de risco. Para as que não têm, o rastreamento rotineiro ainda não é indicado. Isso não acontece porque a doença é impossível nessa faixa, mais porque a relação entre benefícios e riscos do exame (como falsos positivos e biópsias desnecessárias) precisa ser avaliada com cuidado. Isso, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA) se deve especialmente ao fato de que mulheres jovens têm mamas mais densas – e, por isso, os exames podem ter menor sensibilidade.

Por outro lado, existe um grupo de mulheres para quem a investigação antes dos 40 é não só possível como essencial: aquelas com fatores de risco elevado para câncer de mama antes dos 40. Esse grupo é maior do que se imagina, e se beneficia de exames específicos em momentos precisos.

No vídeo abaixo, explico mais detalhes sobre o rastreamento do câncer de mama antes dos 40 anos:

Fatores de risco que levam ao rastreio precoce

Alguns fatores aumentam substancialmente a probabilidade de desenvolver câncer de mama em idades mais jovens, e é com base neles que se altera o protocolo de rastreamento padrão. Se você tem algum desses fatores, a avaliação com um especialista é o caminho ideal para definir o protocolo certo – e quanto antes isso acontecer, melhor.

Os principais são:

Histórico familiar de câncer de mama 

Ter na família um caso de câncer de mama masculino é um sinal importante que pode indicar a presença de mutação genética hereditária. Com isso, pode haver indicação de aconselhamento genético.

Mutações conhecidas nos genes BRCA1 e BRCA2 

Portadores dessas mutações têm risco de 60% a 80% de desenvolver câncer de mama. Assim, o rastreamento intensificado deve começar entre os 25 e os 30 anos e combina mamografia e ressonância magnética anualmente.

Outras mutações genéticas 

Há ainda outras mutações genéticas que aumentam o risco de desenvolver a doença, como PALB2, CHEK2 e TP53 (síndrome de Li-Fraumeni).

Histórico pessoal de lesões de alto risco 

Mulheres que já tiveram, por exemplo, hiperplasia ductal atípica ou carcinoma lobular in situ também são candidatas ao rastreamento precoce.

Histórico de radioterapia torácica 

Pessoas que fizeram radioterapia na região do tórax entre os 10 e 30 anos de idade também são candidatas a rastreamento que começa antes. A indicação é iniciá-lo de 8 a 10 anos após o término da radioterapia.

Mamas densas 

Mulheres com mamas densas também podem ser candidatas ao rastreamento precoce. Isso porque a densidade aumenta o risco de ter a doença e pode reduzir a sensibilidade da mamografia, exigindo exames complementares.

Como é o rastreamento precoce 

O rastreamento em mulheres jovens, especialmente as de alto risco, raramente se resume a um único exame, e cada método cumpre um papel específico. Os exames que costumam estar envolvidos no processo são:

Ultrassom 

O ultrassom de mama jovem é frequentemente o primeiro exame que o médico pede para mulheres com menos de 40 anos que têm alguma suspeita clínica ou fator de risco. Isso porque mamas mais jovens costumam ser mais densas, e o ultrassom consegue visualizar o tecido mamário denso com mais clareza do que a mamografia.

Além disso, ele também é indicado como complemento quando a mamografia identifica uma área que precisa de avaliação mais elaborada.

Mamografia 

A mamografia continua sendo o exame mais eficaz para detectar microcalcificações e outras alterações sutis. Em mulheres jovens de alto risco, ela é indicada anualmente a partir dos 30 anos, conforme os critérios da SBM. Nesse contexto, a tomossíntese (versão 3D da mamografia) oferece mais sensibilidade e é preferível quando disponível.

Ressonância magnética 

A indicação de ressonância de mama está reservada a mulheres de alto risco. Isso inclui especialmente as com mutações BRCA ou com risco calculado acima de 20% de chance de desenvolver câncer de mama ao longo da vida.

Esse é o exame mais sensível disponível para rastreamento, mas justamente por isso gera mais resultados que precisam de investigação adicional – e que as vezes não vão se confirmar em doença. Esse é o motivo pelo qual ele não é recomendado para a população geral.

Quando indicado, ele geralmente ocorre em associação com a mamografia.

Exame clínico das mamas 

O exame clínico feito pelo médico é parte do acompanhamento regular e deve ocorrer anualmente mesmo antes da faixa etária de rastreamento por imagem.

Quando buscar um médico 

Há duas situações que pedem a avaliação médica. O primeiro deles é ter um fator de risco conhecido que um médico ainda não avaliou, como histórico familiar de câncer de mama, suspeita de mutação genética, histórico de radioterapia ou qualquer dúvida sobre o próprio perfil de risco. Nesses casos, a consulta com um oncologista ou mastologista permite investigar e definir o protocolo correto.

Já o segundo é a presença de sinais físicos que nunca devem esperar uma idade específica ou o próximo exame já programado. Eles incluem, por exemplo:

  • Nódulo palpável na mama ou na axila;
  • Secreção pelo mamilo (especialmente se espontânea ou unilateral);
  • Inversão recente do mamilo;
  • Alterações na textura ou coloração da pele da mama (como vermelhidão, espessamento ou aspecto de “casca de laranja”);
  • Assimetria entre as mamas que não existia antes;
  • Dor localizada persistente.

Investigar é cuidar de si 

Nesse contexto, fazer o exame de mama jovem com a frequência e o método certos é um ato de cuidado com o próprio corpo, especialmente quando existem fatores de risco que merecem atenção. Se você tem dúvidas sobre o seu perfil ou quer saber qual protocolo faz mais sentido para você, agende uma consulta com um especialista na área. Aqui, essa conversa pode fazer toda a diferença.

Dra. Juliana Beal – oncologista especialista em câncer de mama em São Paulo 

A Dra. Juliana Beal, oncologista clínica e oncologista de câncer de mama em São Paulo, atua no Einstein Hospital Israelita com foco no diagnóstico e no tratamento da doença. Ela é referência como especialista em câncer de mama em SP e acompanha pacientes em todas as fases da doença, incluindo a definição de protocolos de rastreamento personalizados para mulheres jovens. Nesse contexto, ela atende pacientes que buscam prevenção do câncer de mama em São Paulo com base na medicina da precisão e em evidências científicas atualizadas.

Mais sobre rastreamento do câncer de mama em jovens

Depende do perfil de risco. Para mulheres sem fatores de risco específicos, o rastreamento rotineiro começa aos 40 anos. Já para mulheres com histórico familiar significativo, mutações genéticas conhecidas ou outros fatores de risco elevado, o rastreamento deve começar mais cedo (às vezes antes dos 30 anos), e com protocolos mais intensivos.

Nesse contexto, a avaliação com um especialista é o passo mais importante para definir o que se aplica a cada caso.


A indicação para iniciar o rastreamento antes dos 40 anos tem ligação direta com a presença de fatores de risco. Esses fatores incluem histórico familiar significativo (especialmente com diagnóstico antes dos 50 anos), mutações genéticas, histórico de radioterapia torácica na adolescência e de lesões mamárias de alto risco em biópsias anteriores.

Quem se enquadra em algum desses perfis deve buscar avaliação com um especialista para definir o protocolo adequado.


O ultrassom de mama é frequentemente o primeiro exame que indicamos para mulheres jovens. Isso porque o tecido mamário de jovens é mais denso e pode reduzir a eficácia da mamografia realizada isoladamente. Aqui, a mamografia entre como parte do protocolo a partir dos 30 a 40 anos, dependendo do perfil de risco.

Além disso, a ressonância magnética é reservada para mulheres de alto risco, como portadoras de BRCA ou com risco estimado elevado, sempre em associação à mamografia.

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