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Câncer de mama oligometastático: o que é e como é o tratamento?

Câncer de mama oligometastático: o que é e como é o tratamento?

Ao receber a notícia de que o câncer de mama atingiu outro órgão, é importante entender que nem toda metástase se apresenta da mesma forma. Isso porque, em algumas pacientes, existem apenas poucos focos da doença fora da mama, algo que chamamos de câncer de mama oligometastático.

Confira abaixo o que é a doença oligometastática, o que pesa na avaliação de cada caso e como é o tratamento nesses cenários para ter uma visão mais precisa sobre seu diagnóstico:

Câncer de mama oligometastático: o que é e como é identificado

“Oligo” é uma palavra grega que significa “poucos” e, por isso, é usada nesse contexto: a oligometástase no câncer de mama é uma doença metastática de pequeno volume – ou seja, com poucos focos fora da mama. Em geral, as diretrizes internacionais consideram nesse contexto conjuntos de até cinco lesões que podem estar no mesmo órgão ou em órgãos diferentes.

Ela continua sendo uma doença metastática, mas com extensão bem menor do que a da doença disseminada. Enquanto a doença localizada fica restrita à mama e aos linfonodos próximos, a disseminada (câncer de mama metastático com muitos focos) atinge diferentes partes do corpo. A doença oligometastática fica em uma espécie de “meio-termo” entre esses dois cenários.

Na prática, podemos exemplificar essa situação no caso de uma paciente que, anos após tratar um câncer de mama inicial, descobre duas pequenas lesões compatíveis com a doença, mas em um osso, sem sinais dela em outro órgão. Esse é um caso típico de doença oligometastática – bem diferente de uma paciente com metástase do câncer de mama em vários órgãos diferentes.

Diagnóstico de câncer de mama oligometastático

Para saber se a doença é mesmo oligometastática, o primeiro passo é contar as lesões a partir de exames de imagem. Aqui, costumam entrar o PET-CT e a ressonância de corpo inteiro, pois eles são capazes de enxergar focos pequenos que a tomografia e a cintilografia óssea podem não mostrar.

Depois, o especialista costuma, sempre que possível, pedir a biópsia de uma das lesões. Isso porque ela confirma se a lesão deriva mesmo do câncer de mama, e não de outras doenças, e permite analisar novamente características tumorais como presença de receptores hormonais e expressão da proteína HER2. Nesse cenário, avaliar essas características é essencial pois elas podem ser diferentes das do tumor original, algo que tende a modificar o tratamento.

Tratamento do câncer de mama oligometastático

Mesmo com poucos focos, os medicamentos sistêmicos (ou seja, que agem sobre todo o corpo) ainda são a base do tratamento do câncer de mama oligometastático. Isso porque, ainda que seja possível visualizar esses focos nos exames, as imagens não conseguem evidenciar células do câncer que podem estar circulando pelo corpo, e é preciso atacá-las.

Em alguns casos, porém, esse tratamento sistêmico no câncer de mama pode se somar a terapias direcionadas aos focos em questão. Entenda abaixo as possibilidades:

Tratamento com medicamentos

Antes de definir o melhor medicamento ou combo de substâncias, é preciso avaliar o subtipo do tumor. Isso porque cada subtipo responde de formas diferentes a determinadas medicações, e é necessário escolher a que tem mais chances de afetar as células da doença. Nesse cenário, em geral, temos:

  • Hormonioterapia (muitas vezes junto de terapias-alvo) para tumores que têm receptores hormonais;
  • Medicamentos que atacam diretamente a proteína HER2 em tumores HER2-positivos;
  • Quimioterapia, imunoterapia e anticorpos conjugados que levam a medicação diretamente às células do tumor em casos de câncer de mama triplo negativo.

Aqui, vale lembrar que os avanços recentes na oncologia ampliaram muito as opções para o tratamento do câncer de mama metastático. Por isso, hoje, muitas pacientes mantêm a doença controlada por anos, e essa resposta satisfatória tem muito a ver com o subtipo da doença.

Tratamento dos focos com cirurgia ou radioterapia

Em algumas pacientes, além dos medicamentos, é possível discutir a possibilidade de tratamento direcionado a cada foco. Aqui, apostamos na cirurgia para retirar a lesão, ou na radioterapia para oligometástases usando uma técnica chamada estereotáxica. Nessa técnica, concentramos uma dose alta de radiação em um ponto muito preciso, poupando ao máximo os tecidos saudáveis ao redor com o objetivo de eliminar a doença visível para tentar atrasar o surgimento de novos focos.

Até o momento, porém, os estudos sobre o tema não comprovaram que somar esse tratamento ao uso de medicamentos aumente a sobrevida das pacientes. Por isso, ele não faz parte da rotina, e a equipe costuma considerá-lo apenas em casos selecionados, após uma discussão no tumor board e de uma conversa franca com a paciente. Nessa decisão, pesam fatores como:

  • Resposta aos medicamentos: se as lesões se estabilizam ou diminuem, o tumor está respondendo;
  • Tempo desde o primeiro diagnóstico: uma metástase que surge anos depois demonstra comportamento diferente de uma que aparece ainda durante o tratamento inicial – e o segundo quadro pode indicar resistência aos medicamentos;
  • Quantidade e localização dos focos: mostram se é possível tratá-los com segurança;
  • A condição clínica e as preferências da própria paciente.

Além disso, o tratamento direcionado aos focos também pode entrar em outro momento: quando a paciente já faz tratamento com medicamentos e a doença está sob controle, mas um ou poucos focos voltam a crescer. Essa situação se chama oligoprogressão e pode acontecer mesmo em quem tem várias metástases.

Esse cenário costuma indicar que só as células daqueles focos deixaram de responder ao medicamento. Quando isso acontece, trocar o tratamento é uma opção, mas cada troca reduz as opções restantes para o futuro. Assim, tratar apenas os focos que cresceram usando radioterapia pode manter o medicamento funcionando por mais tempo no restante do corpo, mas essa estratégia ainda está em estudo e depende de avaliação individual.

Sendo assim, cada câncer de mama metastático tem características próprias, e são elas que definem a estratégia. Essa, inclusive, é a base da medicina de precisão no câncer de mama, que usa o que se sabe sobre o tumor de cada paciente para escolher o tratamento.

Se você recebeu o diagnóstico de câncer de mama metastático e busca uma oncologista de câncer de mama em São Paulo para entender melhor suas possibilidades ou ter uma segunda opinião, agende sua consulta! Aqui, avalio cada caso de forma individualizada e explico com clareza o que as evidências mais modernas mostram sobre a situação.

Dra. Juliana Beal: oncologista especialista em câncer de mama em São Paulo

A Dra. Juliana Beal é oncologista clínica e especialista em câncer de mama, com atuação no Hospital Israelita Albert Einstein. Seu trabalho tem foco na **medicina de precisão no câncer de mama**, que considera as características biológicas de cada tumor para orientar o tratamento da forma mais direcionada possível.

Atenta às evidências e aos avanços da oncologia, ela define com cada paciente a estratégia terapêutica que mais se adequa às diferentes fases da doença e ao momento de vida da pessoa, desde o rastreio até o diagnóstico e o acompanhamento.

Mais sobre câncer de mama oligometastático

Até o momento, a medicina não consegue prometer uma cura para o câncer de mama oligometastático. Ainda assim, pacientes com poucos focos (entre uma e três lesões) costumam ter evolução mais favorável, e algumas conseguem manter a doença controlada por muitos anos em meio a um tratamento bem direcionado.

As diretrizes consideram oligometástases conjuntos com até cinco lesões que podem estar em órgãos diferentes. Essa definição, porém, varia entre diferentes estudos e depende dos exames usados para contar os focos, visto que cada exame tem uma limitação e pode mostrar imagens diferentes.

Não, o tratamento local das metástases ainda não é rotina, pois estudos não mostraram que ele aumente a sobrevida. A equipe pode, todavia, discuti-lo em casos selecionados, considerando o subtipo do tumor, a resposta dele aos medicamentos, a localização dos focos e a condição da paciente. Sendo assim, se trata de uma decisão muito individual.

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