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Entenda o que significa margem positiva na cirurgia de retirada do câncer de mama

Entenda o que significa margem positiva na cirurgia de retirada do câncer de mama

Você fez a cirurgia de câncer de mama, acreditou que o tumor havia sido retirado por completo e, semanas depois, viu o termo “margem positiva” no laudo. Esse momento, especialmente pela possibilidade de trazer junto uma nova operação, costuma gerar apreensão. E, se esse é o seu caso, saiba que esse resultado técnico não significa uma falha no tratamento.

Isso porque esses achados só podem aparecer após a primeira cirurgia e, diante deles, existe uma possibilidade melhor de definir o tratamento mais adequado para o caso. Confira abaixo o que são as margens cirúrgicas, o que diferencia uma margem livre de uma margem comprometida, o que muda em cada tipo de tumor e quais os próximos passos possíveis:

Margem positiva no câncer de mama: o que é, para que serve a classificação e mais

Em uma cirurgia de câncer de mama, onde a ideia é retirar apenas o nódulo, o cirurgião nunca se limita às margens do tumor. Isso porque, ainda que visualmente seja possível supor onde o tumor termina, é possível que existam células tumorais no tecido saudável em volta dele (e isso não é visível).

Por isso, no procedimento, o médico retira também uma margem cirúrgica, espécie de “moldura” de segurança que, depois, vai para uma análise laboratorial chamada de anatomopatológica. Essa análise pode resultar em margem livre ou margem positiva, e cada um desses cenários indica uma conduta diferente.

Margem livre ou negativa

O termo margem livre no câncer de mama indica que o patologista não encontrou células tumorais na margem de segurança retirada na cirurgia. Isso significa que as chances de células tumorais terem permanecido na área onde o tumor estava são muito baixas.

Margem positiva ou comprometida

Já margem positiva ou comprometida no câncer de mama é um termo usado para indicar que essa análise identificou células cancerígenas no tecido supostamente saudável.

Na prática, isso indica que o tumor se estendia até a borda do tecido retirado, e que existe a possibilidade de células do câncer de mama terem ficado no corpo após a operação.

Aqui, é importante frisar que não se trata de um erro médico, nem de uma falha no tratamento. Isso porque a margem cirúrgica só pode ser avaliada de perto após a operação, e porque o resultado dessa análise ajuda muito a definir as próximas etapas do processo terapêutico com mais segurança.

O que muda em cada tipo de tumor

Algo importante a se compreender é que os critérios que definem uma margem livre (ou seja, segura) mudam de acordo com o tipo de tumor. Em um câncer invasivo, que já ultrapassou as barreiras do local onde se iniciou, uma margem livre é aquela que não encontra células tumorais tocando a borda do tecido aparentemente saudável retirado.

Já no caso da margem do carcinoma ductal in situ, no qual as células seguem confinadas dentro dos ductos, a análise vai além. Nesses casos, para que uma margem seja considerada livre, é preciso que exista ao menos 2 milímetros de tecido saudável entre a lesão e a borda final de tecido.

Isso porque esse tipo de tumor costuma se espalhar “pulando” trechos e, como resultado, pode haver camadas de tecido com células cancerígenas intercaladas a camadas saudáveis. Sendo assim, uma distância curta, como no caso do câncer invasivo, não afasta a possibilidade de haver outro foco muito próximo do inicial.

O que vem depois do laudo de margem positiva

Após a identificação de uma margem positiva na cirurgia do câncer de mama, a equipe responsável pelo caso retoma o planejamento para definir os próximos passos. Nesse contexto, a decisão por uma nova operação não é automática, e leva em consideração fatores como nível de comprometimento da margem, o tipo e o comportamento biológico do tumor e mais.

Além disso, esse caminho não é algo que uma especialidade médica faz sozinha. A definição começa com o patologista (que descreve os achados), passa pelo mastologista para avaliar a viabilidade de uma nova abordagem, pelo radioterapeuta para analisar o impacto do planejamento na radioterapia e pelo oncologista clínico, que integra tudo ao perfil do tumor.

Em centros de referência, essas decisões ocorrem no que chamamos de tumor board, reunião em que especialistas discutem o caso em conjunto. Nelas, alguns dos caminhos que podem se definir incluem:

Ampliação de margem ou re-excisão

A conduta mais frequente diante de margens positivas é uma nova cirurgia no mesmo local, visando retirar mais uma camada de tecido que cercava o tumor. Esse procedimento recebe o nome de ampliação de margem ou re-excisão.

Isso tende a deixar pacientes aflitas, mas, nesse contexto, é importante saber que a segunda cirurgia para câncer de mama costuma ser bem menor que a primeira. Isso porque ela não repete a operação inteira e nem precisa retirar um tumor, apenas “limpar” a área que o contornava.

A viabilidade dessa abordagem, porém, depende muito de quanto tecido ainda existe na mama. Após uma cirurgia conservadora de câncer de mama, por exemplo, só o nódulo saiu, então existe tecido suficiente para uma re-excisão. Já após uma mastectomia, quando a retirada foi ampla e sobra pouco ou nenhum tecido, mas o patologista identifica margens positivas, a conduta muda.

Reforço da radioterapia

A radioterapia é um tratamento complementar que reduz o risco do câncer retornar à mama e faz parte do planejamento de muitas pacientes que realizam a cirurgia conservadora na mama. Nesses casos de margem positiva nos quais a nova cirurgia não é viável, é possível aplicar uma dose extra de radiação concentrada na região onde o patologista encontrou essas células – algo que chamamos de reforço.

É importante frisar, porém, que, nos casos em que a nova cirurgia é viável, o procedimento tem a preferência.

Acompanhamento

Em situações de comprometimento mínimo das margens em tumores de baixo risco, a equipe pode concluir que uma nova intervenção traria mais prejuízos do que benefícios. Nesses casos, a conduta pode ser a de manter o plano de tratamento já traçado anteriormente e aumentar a frequência das consultas e dos exames.

Vale lembrar que isso não significa “não fazer nada”, mas sim acompanhar de perto uma situação que, naquele contexto específico, tem risco baixo de gerar problemas maiores.

Se você recebeu seu laudo anatomopatológico após a cirurgia e quer compreender os próximos passos ou busca uma segunda opinião sobre a continuidade do tratamento, não hesite em agendar sua consulta! A interpretação integrada desses achados é parte essencial do acompanhamento que ofereço a cada paciente.

Dra. Juliana Beal: oncologista especialista em câncer de mama em São Paulo

A Dra. Juliana Beal, oncologista clínica com atuação no Hospital Israelita Albert Einstein, é especialista em câncer de mama com foco na interpretação integrada do anatomopatológico, das características biológicas do tumor e nos demais tratamentos necessários após a cirurgia.

Referência em medicina de precisão no câncer de mama em São Paulo, ela acompanha pacientes com cuidado individualizado e atualização científica constante, sempre se baseando nas evidências mais atuais da oncologia.

Mais sobre margem positiva no câncer de mama

Esse achado indica que a possibilidade de ainda existir câncer na mama é real. Isso, porém, não quer dizer que a doença voltou ou se espalhou, nem que a cirurgia foi ineficaz – trata-se apenas de uma nova informação que ajuda a definir os próximos passos do tratamento.

Nem sempre. Nesse contexto de margem positiva, a ampliação da margem em uma nova cirurgia é, sim, a conduta mais comum, mas a indicação depende do tipo de cirurgia realizada, da extensão do comprometimento, das características do tumor e do que já foi planejado anteriormente para o tratamento.

Nesses casos, a equipe médica reavalia o contexto para definir a melhor conduta, que pode incluir uma nova cirurgia na mesma região. Nesse contexto, um grupo de especialistas (incluindo patologista, mastologista, oncologista e mais) avalia os prós e contras de cada possível conduta, bem como a viabilidade delas.

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