BI-RADS 4 na mamografia: significa câncer?
Quando se faz uma mamografia, o laudo vai classificá-la usando uma sigla chamada BI-RADS seguida de um número. Nesse cenário, ver um laudo com BI-RADS 4 costuma gerar apreensão em pacientes, que se questionam se essa classificação significa um diagnóstico de câncer – e entendê-la ajuda a amenizar esse medo.
Abaixo, explico em detalhes se BI-RADS 4 é câncer, o que significa essa classificação, o que são as as letras que podem aparecer diante dela e mais informações pertinentes sobre ela no laudo:
BI-RADS 4: o que é, chance de câncer e mais
A classificação BI-RADS é como uma “nota” que o radiologista dá ao exame de mama de acordo com o grau de suspeita sobre um achado (como um nódulo). Essa classificação vai de 0 a 6 e serve para padronizar os laudos de forma que qualquer médico, do mastologista ao oncologista, entenda o resultado da mesma maneira.
Dentro dessa escala, o BI-RADS 4 indica que a imagem mostra uma alteração suspeita, ou seja, com características que podem ter ligação com o câncer, mas sem a confirmação. Isso acontece porque, pela imagem, não é possível ter certeza de que se trata de uma alteração benigna ou maligna, apenas que ela tem indícios que valem a pena investigar.
O que faz o radiologista suspeitar de malignidade e classificar a lesão dessa forma inclui características como:
- Calcificações com formato ou distribuição suspeitos;
- Nódulos de contorno irregular;
- Áreas em que o tecido da mama aparece repuxado (algo que chamamos de distorção arquitetural).
BI-RADS 4A, 4B e 4C: o que cada uma indica
Além do número, o BI-RADS também aparece junto das letras A, B ou C, e são essas letras que indicam a porcentagem de câncer no BI-RADS 4.
Essa divisão acontece para tornar o laudo ainda mais específico, e se baseia em características como formato e contorno do nódulo, aspecto e distribuição de calcificações e se a alteração é nova em relação a exames anteriores. Assim, quanto mais sinais suspeitos a imagem mostra, maior é a porcentagem da subcategoria.
Nesse cenário, é importante saber que essas letras não têm relação com as que descrevem a densidade mamária. Elas vão de A a D, aparecem em outra parte do laudo e não têm relação com as chances do achado ser maligno ou benigno.
Entenda o BI-RADS 4A, 4B e 4C abaixo:
BI-RADS 4A: chance de câncer entre 2% e 10%
A chance de câncer no BI-RADS 4A é baixa e, em geral, descreve achados que têm predominância de características benignas, mas com algum detalhe que impede o radiologista de descartar a hipótese de malignidade.
Um exemplo disso são nódulos que lembram um fibroadenoma, tumor benigno comum na mama, mas com contorno menos definido que o esperado. Nesse contexto, a maioria dos achados que recebem essa classificação se mostra benigna na biópsia.
BI-RADS 4B: chance de câncer entre 10% e 50%
A chance de câncer no BI-RADS 4B é intermediária, e costuma reunir achados com características suspeitas que ainda não têm sinais mais evidentes de câncer.
É esse o caso, por exemplo, de um pequeno grupo de calcificações com formato irregular e tamanhos variados, ou nódulos sólidos cujas bordas se confundem com o tecido ao redor.
BI-RADS 4C: chance de câncer entre 50% e 95%
A chance de câncer no BI-RADS 4C é alta e costuma descrever achados com características fortemente associadas ao câncer. Um exemplo disso são calcificações finas, em forma de pequenas linhas ou ramificações que acompanham o trajeto dos ductos da mama.
Apesar da chance de malignidade ser maior, ainda não se trata de um BI-RADS 5, que indica probabilidade de ser câncer igual ou superior a 95%. Assim, mesmo após um laudo com BI-RADS 4C, é possível que a biópsia descubra uma lesão benigna, e não cancerosa.
Próximos passos após o laudo de BI-RADS 4
Como o BI-RADS 4 indica um achado que pode ou não ser câncer, o próximo passo após o laudo é a investigação. Sendo assim, uma mamografia BI-RADS 4 sempre precisa de biópsia, único procedimento que possibilita a análise detalhada das células e, assim, traz certeza sobre o diagnóstico.
Aqui, vale frisar que a biópsia da mama é um procedimento simples e seguro, feito com agulha e anestesia local – e a necessidade de realizá-la não indica, automaticamente, que você tem um câncer.
Dessa forma, após se deparar com essas informações no laudo, é importante não se desesperar, mas não adiar a investigação. Nessa etapa, reúna mamografias e ultrassonografias anteriores (se houver) e marque sua consulta com o especialista que pediu o exame.
Depois da biópsia, deve haver uma nova consulta onde o especialista comunica o resultado e define a conduta. No caso de um nódulo benigno, alguns requerem apenas acompanhamento, e outros podem precisar de cirurgia. Já no caso de um achado maligno, os próximos passos dependem das características específicas do tumor.
Se você recebeu o resultado de uma biópsia com o diagnóstico de câncer de mama ou busca uma segunda opinião sobre uma investigação de BI-RADS 4, não hesite em entrar em contato. Nesse cenário, receber cuidado individualizado e explicações baseadas em evidências científicas ajuda a viver o processo com mais tranquilidade.
Dra. Juliana Beal: oncologista especialista em câncer de mama em São Paulo
A Dra. Juliana Beal é oncologista especialista em câncer de mama, com atuação no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Seu trabalho tem foco no cuidado com pacientes desde o rastreio do câncer de mama até o diagnóstico, tratamento e acompanhamento após o processo terapêutico.
Nesse percurso, ela faz uma interpretação integrada do diagnóstico, reunindo exames de imagem, resultado da biópsia e características biológicas do tumor para definir a conduta mais adequada a cada paciente.
Referência em medicina de precisão no câncer de mama, ela oferece cuidado individualizado desde o rastreio da doença até o acompanhamento pós-tratamento.
Mais sobre BI-RADS 4
A chance de um achado BI-RADS 4 ser câncer varia de 2% a 95%, e tudo depende da quantidade de características associadas à doença que esse achado tem. Quanto mais características apontam para possível malignidade, mais alta é a subcategoria do BI-RADS 4, que varia entre A, B e C, sendo esta última a mais provável de se tratar da doença.
A diferença entre BI-RADS 4A, 4B e 4C está na probabilidade que cada categoria indica de esse achado ser câncer. Na primeira, as chances variam entre 2% e 10%. Na segunda, elas variam de 10% a 50%. Enquanto isso, a última indica probabilidade entre 50% e 95%. Aqui, é importante lembrar que mesmo um BI-RADS 4C pode ser um achado benigno, e que a classificação se baseia apenas na aparência do achado, sem trazer certezas.
Sim, o BI-RADS 4 sempre indica necessidade de biópsia. Isso porque, seja um BI-RADS 4A ou 4C, isso sempre indica que o achado tem características suspeitas, e apenas a biópsia da mama pode tirar a prova.


